Sugiro uma nova poesia
quero um mundo novo,
duas, três, todas as rimas
versos de ofensa,
estrofes de heresia.
Presumo um mundo novo
recanto dos sonhos perdidos
não quero prosa, quero diferença
quero rima, verso, poesia
e nenhum estorvo.
Serei um pronome pessoal
intransferível e oblíquo
ambíguo, versejador e egoísta.
Pós-moderno e surreal,
serei um poema dadaísta.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Azia
às 18:52 0 comentários Marcadores: Poemas para combater a calvície
sábado, 5 de dezembro de 2009
Rádio: Frank Sinatra - Something
Segundo Sinatra, muita gente e eu, é a canção de amor mais bonita já escrtita. E a versão com "the voice" é, na minha opinião, a mais bonita de todas:
às 22:26 0 comentários Marcadores: Rádio blogue
Internet - impossível viver sem
Faz meia-hora que postei sobre o especial "Por Toda a Minha Vida", exibido no último dia 3, a respeito da trajetória de Raul Seixas. Falei que esperaria um tempo, ou dei a entender isso, para procurar o programa na rede e, aí sim, baixá-lo e assisti-lo.
Levei meia-hora. O programa todo está aqui, no YouTube.
às 07:48 0 comentários Marcadores: Tecnologia
Não diga que a canção está perdida
Na quinta-feira a Globo exibiu o especial "Por Toda a Minha Vida", que é uma série que se debruça sobre grandes nomes da nossa música contanto suas trajetórias, e o nome da vez foi Raul Seixas. A efeméride que justificaria o programa seriam os 20 anos da morte do maluco beleza, completados em agosto. Não entendi porque foram exibir o programa em dezembro, mas não tem a menor importância.
Eu não assisti ao programa. Queria ver, mas esqueci e quando lembrei, já era hora do Jô. Fiquei aborrecido por ter esquecido, mas não faz mal, a internet está aí, e a boa vontade de algum uploader, somada ao Pai Google, resolver-me-ão a querela quando for tempo. Lamentei ter perdido o programa sobretudo depois que descobri que ao final o irmão de Raul, Plínio Seixas, contou a história de um sujeito medonhamente endividado que estava com uma arma na cabeça, pronto para puxar o gatilho e se matar, quando, subitamente, começou a tocar no rádio, com o volume no máximo pra ninguém ouvir o tiro, "Tente Outra Vez". No fim das contas o cidadão desistiu do suicídio, tentou outra vez, deu certo e, anos depois, procurou a família de Raul Seixas para agradecer.
Tenho um amigo que quando comentamos algo sobre Raul Seixas, normalmente porque muita gente alimenta preconceitos e ignorâncias em relação a obra do roqueiro baiano, lembra o seguinte: "quem é que nunca esteve numa fossa e ouviu "Tente Outra Vez" e pensou: 'é isso aí, vamo lá?'".
Grande Raul.
às 07:16 0 comentários Marcadores: Atualidades, Cultura, Memórias
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Ilha desertas não são comigo
Se eu estivesse numa ilha deserta, como Robinson Crusoé, admitindo que meu naufrágio tivesse me deixado com o notebook intacto e ainda alguma carga na bateria, eu, fatalmente, escreveria. Robinson Crusoé foi um sujeito industrioso, que com a paciência que os anos lhe deram, tal como os presidiários, tinha absolutamente todo o tempo do mundo, que como se sabe passava mais devagar no século XVII, e pôde moldar a realidade a sua volta. Robinson Crusoé é um dos livros mais importantes da minha vida.
Eu escreveria porque é o que sei fazer, ponto. Escrever, ler, escrever, observar, escrever, ponderar, escrever. História da minha vida. Me resumo em palavras correndo para lá e para cá, buscando encaixe. Fiz dessa desdita profissão. Eu escreveria até a bateria drenar-se, o que aconteceria em coisa de duas horas. Salvaria o documento que nunca mais poderia ler no pendrive, colocaria a pequena unidade de armazenamento numa garrafa e a arremessaria as intermináveis vagas do oceano, esperando que elas desfaçam as distâncias, que a água não inrrompa no invólucro e que o sol inclemente preserve a minha memória de silêncio e silício embalada em plástico.
Não sei o que escreveria. Se diria instruções para me encontrar, ou se justamente o contrário, diria, "deixem-me aqui com minhas cismas e meu exílio, e se ainda sim vierem, por favor, tragam baterias". Se faria um apelo para não ser esquecido. Talvez uma poesia, uma saudação, piadas. As minhas 200 notas. Outras 300, não sei, porque no fim seguiriam sem rumo como as 200, inócuas em tudo e por tudo. O que eu sei é que embalaria com os melhores pensamentos do mundo o destino desse pendrive, contivesse ele o que contivesse. Meu pendrive engarrafado, com hálito de vodka, rumaria por mares nunca dantes flutuados por unidades de armazenamento em busca daquilo que nós todos buscamos na vida: o nada. Mas ainda assim iria embalado com as melhores disposições do mundo.
Na ilha, presumo, me aborreceria mortalmente. Não posso fazer uma lista de coisas que levaria comigo a uma ilha deserta, porque assim todo esse exercício de imaginação perderia ser mérito: quando vamos dar com as fuças em paragens assim temos tempo para tudo, menos para preparar bagagens. Lá não teria internet, livros, o que por natural confluência de catástrofes, implicaria em me impedir de escrever. E uma vida onde eu não possa escrever é uma vida que não vale à pena ser vivida. Só serve para lamentar.
Contemplaria a infinidade dos dias como faço hoje, rodeado de gente na maior cidade do continente. Me apoquentaria, contudo, e admito sem problemas, com o destino da garrafa: se foi encontrada, por quem, se sabiam ler português, se não seria melhor ter feito um esforço e lembrar de todo o inglês que nunca soube, traduzir o texto, sabe-se que o inglês está por todo o canto. Pensaria nas pessoas que encontrassem, no tremendo azar de que não tivessem computador e não soubessem o que é um pendrive, ou que o adorassem, como se fosse algo divino, como faziam as tribos daquela comédia dos anos 1980, "Os Deuses Devem Estar Loucos", com uma garrafa de Coca-cola. Ou nada disso, no meio do caminho, um petroleiro, navio mercante, enfim, com suas desajeitadas centenas de toneladas de deslocamento, passa com a quina pela garrafa, quebra todos os meus devaneios.
Diante dessas percepções inabaláveis, declaro que não pretendo, sob hipótese alguma, enquanto tiver ar para puxar ao peito, coração pra pulsar minhas saudades, perder-me em alguma ilha.
às 23:38 1 comentários Marcadores: Memórias
The Saboteur: genial
Há muito que sustento perante o desdém de muita gente que a indústria dos jogos eletrônicos já beira, e em alguns casos ultrapassa às largas, os ditames do que é arte. Os jogos progridem anualmente a uma velocidade assombrosa, e isso explica porque o entretenimento digital é uma indústria que lucra mais que a do cinema e mais que a automobilística também. Hoje, em vários títulos no mercado, a experiência de jogar é a de viver um filme. Interagir com um roteiro.
É o caso do game The Saboteur, que para ficar nos paralelos perante a Sétima Arte, é, por sua vez, o remake de um título famoso nos anos 1980 para o Atari. A previsão de lançamento do jogo é para este mês, disponível para Play Station 3, Xbox 360 e computador, no jogo você encarna um irlandês que mora em Paris. Tudo se passa num ambiente de filme noire, nos anos 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. Você precisa vingar-se dos nazistas, ajudando ações da Resistência Francesa.
Mas onde está a arte, pergunta você, ó leitor incauto e apressado. A arte vai além do roteiro bem elaborado, da possibilidade de interagir com toda a Paris de 70 anos atrás. A arte está no espetáculo visual do jogo, que começa preto e branco e conforme o jogador for avançando na história e experimentando emoções, torna-se colorido (conforme você pode ver no vídeo abaixo). É, pelas prévias disponíveis na internet, visualmente falando, um conceito lindo e que foi visto, conforme a sociedade cinéfila de leitores que me acompanham devem lembrar, no filme Sin City.
Prévia do game:
Além disso, escolheram Nina Simone, com "Feeling Good" para a trilha sonora (opa, mais uma semelhança com o cinema: trilha sonora envolvente). Só não vicio já no jogo porque o lançamento oficial ainda não aconteceu, e de mais a mais, meu notebook tem recursos muito modestos para enfrentar tamanho refinamento técnico e gráfico.
Trailer oficial:
às 18:29 0 comentários Marcadores: Cinema, Cultura, Entretenimento, Tecnologia
O cerco de Leningrado
Quando se fala em Segunda Guerra Mundial, sobretudo no front russo, que virou o jogo e definiu a sorte dos nazistas, muitos falam de massacres em Kiev, a introdução dos esquadrões da morte da SS (os temíveis "einzatsgruppen"), responsáveis por eliminar quem fosse considerado inferior, o General Inverno, experiente por ter vencido mais de 100 anos antes Napoleão e que derrubou a Werhmacht quando esta estava a apenas 7 km de Moscou (se os alemães tivessem tomado a capital russa muito provavelmente venceriam a guerra), fala-se, por fim, muito, mas muito mesmo, da Batalha de Stalingrado, talvez a maior bestialidade humana no longo catálogo de bestialidades que compõem a História do mundo, a maior e mais sangrenta batalha da história, onde pereceram mais de 2 milhões de seres humanos.
Pouco se fala, entretanto, do cerco de Leningrado, hoje São Petersburgo. O cerco durou dois anos - cerco significa que um exército cerca o outro em determinado ponto, o detalhe nessa história é que a população da cidade não foi evacuada, e a história das guerras é composta de cercos, o que, contudo, tendia a desaparecer com a maior mobilidade das forças militares do nosso tempo, Leningrado foi a exceção que confirma a regra, como diria um querido amigo. O cerco de Leningrado, saibam, pasmem, lamentem e choquem-se, matou, só em russos, um número superior a todos os norte-americanos e ingleses, somados, em 6 anos de guerra. Em janeiro de 1942 morriam 4 mil pessoas por dia em Leningrado. A população era subalimentada com um tipo de pão confeccionado a partir de serragem, lixo, ração para gado, pasta de papel, óleo de linhaça e sabão. Donas-de-casa e crianças tinham direito a 130 gramas desse pão por dia. Tudo no medonho frio do inverno russo, sem o conforto da energia elétrica para combatê-lo. Conta-se que o derretimento da neve ao fim do inverno e princípio da primavera trouxe o problema de expor corpos que estavam congelados, e doenças assim se alastraram. Há relatos de pessoas que escavavam as covas daqueles que haviam morrido há pouco tempo em busca do que comer. E mesmo assim, fazendo de tripas coração, embora não haja registro na longa literatura médica de que intestinos desdobrem-se em sístoles e diástoles, eis que, ao fim, os russos romperam o bloqueio. E a Alemanha perdeu a guerra.
É por isso que na Rússia, ainda hoje, a memória da Segunda Guerra Mundial, que completou 70 anos em setembro, é tão cara e promovida. Há cerimonias em datas marcantes por todo o país, porque foi a Rússia a pátria que mais se sacrificou. Os russos foram os que mais sofreram as crueldades da guerra, estima-se que a loucura de Hitler custou nada mais, nada menos, que 30 milhões de vidas nas nações soviéticas daquele tempo. Se por um lado é verdade que o discurso com a frase marcante "tudo que tenho a oferecer são suor, sangue e lágrimas" (ouça aqui o original) veio de Winston Churchill, marcante, aliás, como era típico em seu patoá, e como também é reconhecido que os britânicos arcaram quase que sozinhos por dois anos com a guerra contra o Eixo, não se pode negar que em matéria de sacrifícios, e nisso que nos perdoe o conservador Churchill, derramamendo de sangue, suor e lágrimas, de longe, os russos comunistas foram campeões absolutos.
O curioso é que, aos leigos, em virtude de décadas de propaganda e Guerra Fria, a guerra foi ganha no Dia-D do Steven Spielberg.
às 04:20 1 comentários Marcadores: História
Gelo não é cor, porra
Muita coisa distingue mulheres de homens. E não me refiro ao temperamento, detalhes vinculados ao comportamento, prioridades e idiossincrasias. Nem a apêndices reclusos da anatomia nos homens, ou reentrâncias, curvas e concavidades nas mulheres.
Me refiro a capacidade de enxergar cores. Nós, homens, enxergamos menos de 16 cores, sendo como versões ancestrais do Windows. Homens são, portanto, 8 bits. Verde, amarelo, azul, vermelho, branco, preto, cinza, roxo, marrom. Mais uma ou outra variação de verde marinho, azul marinho e etc. Mas não mais do que isso.
Mulheres não. São como celulares novos, que distinguem nos seus visores minúsculos mais de 2000 cores. Só que não existem 2000 cores. E a capacidade de distinção de novas cores, bizarras, aumenta exponencialmente, à razão geométrica de duas vezes por ano. Ano que vem as mulheres serão capazes de distinguir não mais 2000, mas sim 4000 cores. Que, torno a existir, não existem. Existem as 16 fundamentais, e só. Exemplos:
Gelo. Gelo não é cor, caralho, é água congelada. E é translúcido, como pode algo transparente ser cor? E gelo, a cor, na verdade é branco. Gelo é gelo, não é cor - gelo só tem alguma tonalidade se for de água suja, caudalosa, mas se for de água límpida, então não tem cor nenhuma, porra. Vinho. Vinho é o sumo fermentado da uva, e se for tinto, é roxo. Não é nome de cor, é nome de bebida. Com vinho a gente se embebeda e esquece da vida - e via de regra, das mulheres que nos patrolam a existência - a gente não tinge nada com vinho. E seria um sacrilégido se o fizesse, porque vinho não é cor e nem tinta, vinho é bebida.
Damasco é uma fruta cara e que se consome bastante no Natal. Mas não é cor. Aquilo é laranja, talvez meio amarronzado, mas é laranja, que também é fruta. Damasco é nome de fábrica de café, Damasco é nome da capital da Síria. Damasco é nome de fruta, não de cor. A maioria das mulheres que sai colorindo o mundo de damasco nunca provou ou viu um fruto de damasco na frente. Damasco não é cor, nunca foi e jamais será, porque é laranja, não é cor de damasco, é cor de laranja.
Salmão é um peixe. E a porção interior do peixe, porque a exterior é cinzenta como de ordinário são a maioria dos peixes - com a exceção dos de aquário que são multicoloridos, mas que nunca, sob hipótese alguma, ultrapassam o limite de 16 cores básicas e distinguíveis no espectro pelos objetivos olhos masculinos. Salmão é um peixe caro, do qual se extraem postas muito apreciadas na culinária. E só. Salmão não serve para construir carros, não dá para expremê-lo e extrair seu sangue para pintar uma fachada. Salmão não é cor.
Petróleo. Petróleo é uma muleta feminina, assim como dizer que está confusa é para terminar compromissos, petróleo serve para tudo que seja preto e elas não queiram chamar de preto. Petróleo é um fóssil. E é preto. Se fosse azul, chamaria de azuóelo. E se fosse vermelho, vermelhóleo. Se chamam de petróleo é porque aquela porra é preta. E se é preto, já tem cor e nome, não vale usar o petróleo.
Cáqui se enquadra no exemplo do damasco. Cáqui é um fruto ame-o ou odeie-o, mas nunca, sob hipóetese nenhuma, uma cor. Cáqui é beje no interior e amarelo por fora, quando em vias de amadurecer, e vermelho quando maduro. Cáqui é fruta, não cor. Assim como pastel é um preparo de farinha frito em óleo quente, mas não é cor. Nunca vai ser, porque pastel se usa para comer, não para colorir.
A tendência do verão em matéria de cores é nude. Nude, porra, isso tá em inglês! E não é cor, pqp, nude é nu. E nude, pelo que pude ver, é praticamente qualquer cor. É o coringa das cores, nude, na verdade, na obscura e elíptica visão feminina, é um tecido que deixe enxergar o corpo, ou seja, são cores desbotadas: do beje ao preto, tudo é nude. Digitem nude no Google Images, não vai aparecer uma cor, vão aparecer corpos expostos, mostrando outras tantas diferenças de homens e mulheres. Como as cores.
às 02:13 3 comentários Marcadores: Atualidades, Cultura
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Vida de ogro
O maior conforto de ter um notebook é, sem dúvida alguma, a portabilidade. Carrega-se pra onde quiser. Por exemplo, para o banheiro, quando dá aquela vontade...
É como dizia certo ditado português: "quanto maior o esforço, maior o alívio".
às 23:26 0 comentários Marcadores: Momento tuíter
Hai-kai nº 22
É dia em cinza
há água nas paredes
fico ranzinza.
às 22:15 5 comentários Marcadores: Poemas para combater a calvície
Herman Hesse sabe das coisas...
... e eu cansei de ser de chuva.
Ontem eu me perguntava até onde vai a chuva. Todo dia chove aqui em São Paulo e eu gostaria de saber até onde chove, se ao norte, ao leste, ao oeste e ao sul há, também, "pancadas de chuva no final do período", como diziam antigamente os jornalistas incubidos, ou nem tanto assim, normalmente mulheres bonitas, de nos dizer a previsão do tempo, que como se sabe previa e prevê muito pouco. Eu, aliás, não acredito em três coisas: mulheres encantadoras, políticos e metereologia.
Sempre gostei de dias cinzas, nublados e chuvosos. Meu espírito contemplativo e ensombrecido se adapta melhor a esses climas, sinto-me no meu habitat natural. É como a madrugada: escrevo, penso e vivo melhor pelas madrugadas, tenho alma de boêmio e não há nada que dê jeito nisso.
A chuva que nos saúda, enfim, todos os dias levou-me a pensar no fato de que há algum tempo elas, as chuvas, já não são espaço que chegue para a minha paz. Ou talvez o contrário, a chuva vai intensificando ao longo do tempo minha capacidade de pensar. É como a refrigeração para os computadores, tanto quanto mais bem refrigerado, mais eficiente será o computador. Quanto mais chove, mais e melhor eu penso, mais e mais sinapses explodem no meu cortex, sem que eu as controle, me embalam, me levam, viram sístoles, imaginação, memória, saudade, deboche, diástoles, planos, desistências, sonhos. É nas tempestades que eu vou mais longe.
Só que eu não quero mais ir longe. Agora eu quero ficar por aqui, pensar rasteiro, na luz inclemente do sol. Hoje eu quero verão no inverno, quero derreter os transistores, quero regredir, porque pensar cansa. Pensar me martela o juízo, e vai moldando, ao custo de tanta martelada, de tanto esforço, de tanta pancada algo disforme, longe do que sou e do que quero ser. Pensar. Pensando nisso, embalado pela chuva que castiga a varanda e respinga em mim, lembro de uma frase de Herman Hesse, que sempre me impressionou e que nunca, jamais, me saiu da cabeça e que hoje, a luz de toda essa confusão, me parece ainda mais verdadeira - sem que um dia tenha deixado de ser - lembro do livro, da textura do papel, de quando topei com ela. Sei até em que página está: a 13. Página 13 do "Lobo da Estepe", de Herman Hesse:
Parece, enfim, que vejo o bom Herman coçando o saco, dando aquela ajeitada nos bagos, pigarreando para limpar a garganta, e me dizendo em alemão de anedota "Ia, pára de frescura, minha djoven!" ("djoven" é jovem em alemão de anedota). E tem razão.
Eu cansei de andar na contra-mão, de nadar sendo que fui feito para andar. Não quero acabar afogado, não quero ficar na contra-mão e acabar acidentado. O que eu quero é que o dia raie amanhã, e que chovendo ou não, lá fora, aqui seja sempre dia de sol, calor. E que o lobo da estepe, ou os lobos da estepe, qual uma matilha, tenham sido enfim expurgados, e que vão, em bando, uivando embora, lamber suas feridas e me deixem, enfim, em paz.
às 21:13 0 comentários Marcadores: Memórias
Aforismos - Mulher 2
"São as mulheres que nos inspiram para as grandes coisas que elas mesmas nos impedem de realizar".
Alexandre Dumas, pai.
às 20:45 0 comentários Marcadores: Aforismos



