Eu voto um desprezo carnal extremamente violento e inconsolável, a ponto de dar com a cabeça nas paredes quando me deparo com o pássaro azul a gorjear. É asco ao twitter, tuíter, ou gorjar, conforme já tive o ensejo de demonstrar. E, por inconsolável, evidentemente, continuo eu muito feliz, sozinho é verdade, mas feliz em não fazer parte dessa grande bobagem.
E dia desses, em uma das minhas correrias, tive um tempinho para ler a home do UOL e estava lá: Marcelo Tas e Luciano Huck discutem pelo twitter, tuíter, ou gorjear. Finalmente! A revolução da comunicação, em 140 caracteres, a agilidade do admirável mundo novo, enfim, chegou de fato: dois egos se chocam, e não falta quem queira testemunhar o episódio. Seguir, dizem os neófitos.
Aí fica difícil aceitar a justificativa dos aceclas, esses também seguidores, do microblogue. Dizem eles que o serviço traz uma inaudita agilidade - pra quê? - à difusão de informação. Neste caso "A informação", digna de espaço no portal mais visitado da internet brasileira, é o ego, o confronto de vaidades, que vemos todos os dias na internet. No orkut, em blogues, no MSN. As pessoas gritam "olhem pra mim!", vejam como sou legal. Mas como é no tuíter, a nova onda, aí vale primeira página.
Marcelo Tas e Huck se degladiaram, sempre em 140 caracteres, descaracterizando levemente o até então tido como imortal ditado que nos dizia que, cronológicamente, a pena, a caneta, ou vá lá, a palavra, fere mais que a espada. Tenho pra mim que dependendo do tamanho da lâmina, 140 caracteres já não chegam para ferir, como faz o aço frio quando bem manejado. Bateram-se os dois num duelo de palavras, um dizendo que o outro forjava seus estratosféricos números e estatíticas de seguidores, que onde é que já se viu, fazer uma coisa dessas, querer vender aos demais que se têm mais popularidade do que realmente possui.
O mundo está cheio de gente besta. E isso não é propriamente uma novidade. A história da burrice humana inunda capítulos e capítulos da história da civilização e é um processo, um eterno retorno, sempre em constante evolução. A peleja de Tas e Huck é só mais uma pequena vírgula.
O problema, o busílis, é que o mundo sempre esteve cheio de gente besta, mas normalmente inofensiva. E o twitter, tuíter, gorjear, veio a armar os bestas de 140 caracteres, reputações ignóbeis, audiência vasta e passiva, vazio e uma falsa sensação de informação. O muito é pouco, diz o poeta. E o eterno retorno, enfim, é religião.
E não para - para de parar, estragaram o idioma, como se sabe, o que somado com tantos sinais, só pode ser sinal do apocalipse que nos bate à porta - por aí. A crise entre as duas celebridades vira notícia, manchete. É o suprassumo da fofoca. Vai para a primeira página do site mais lido da internet no Brasil, nos informar que, sim, somos todos vaidosos, implicitamente, evidentemente. O foco é sempre o factual, não o absurdo: Marcelo Tas e Huck brigam via tuíter porque... porque... porque um diz ter mais seguidores que o outro, maduros que são.
Dois pavões se exibindo, enfim, é notícia. E ainda me perguntam por que eu, jornalista de canudo nas mãos, sou contra o diploma. Por falta de argumentos. E se for buscar, vou acabar tropeçando nessas situações, que me dão argumentos para ser totalmente contra. Como defender o diploma de jornalista para fazer uma bobagem dessas? Se o critério de notícia é esse, ora, qualquer um faz. Jornalista não precisa, mesmo, de diploma. Precisa de juízo, mas é um artigo em falta e que rareia mais a cata "tuítada" da internet.
A vida num mundo onde tanta gente se arma de tuíters não vale à pena ser vivida.
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Não precisa, mesmo, de diploma pra fazer isso
às 06:26 0 comentários Marcadores: Atualidades, Entretenimento, Mídia, Tecnologia
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Sábado, 4 de Julho de 2009
Bloody Sauce
Faltou uma piadinha no post anterior:
Eu devia ter pedido um miojo para acompanhar o "molho".
às 20:36 0 comentários Marcadores: Memórias
Bloody Mary nunca mais
Há certas influências dos filmes que nos marcam. Eu sempre quis, por exemplo, estar vestido de smoking, chegar num balcão, com toda a pose, propriedade e circunstância, olhar para quem estivesse atendendo e dizer: um vodka martini, batido, não mexido.
Aguardo o momento de fazer isso. E da mesma forma eu tinha certa curiosidade com o bloody mary, que é uma bebida com larga história no cinema. Afinal, que dizer, a coisa é vermelha, chama-se bloody mary, Maria sanguinolenta, e tem álcool. Devia ser bom, não fosse ninguém beberia. E a bebida se chama assim em homenagem à distinta rainha inglesa, também Maria, contada como a Primeira, e que angariou a não tão honrosa alcunha de "a sanguinária".
E resolvi que chegara o momento de experimentar um bloody mary. Embalado, sobretudo, pela decisão, nunca sábia, de um amigo, que pedira o dele enquanto eu exercitava a minha indecisão. Resolvi que um bloody mary caberia na minha noite. E pedi.
Mas o problema é que o bloody mary é horrível. Se você já tomou pomarola, saiba que o sabor é precisamente este. Com um agravante: não se sente teor alcoolico algum naquilo. Parece que abriram uma lata de extrato de tomate, dissolveram o conteúdo num copo com água, colocaram uma rodela de limão e gelo e mandaram servir. Um horror.
Bebendo alguns goles da beberagem eu sentia, por vezes, engulho. Mas fui macho. Até o fim, bebi o copo inteiro. Revoltado, com náuseas, amaldiçoando o inventor da pomarola com um limãzinho e fazendo esforço, mas bebi. Meu companheiro dedo podre pra bebida, não. Desistiu. Pomarola foi demais para ele, que tem uma curiosa história com porres de chamito.
Contudo a experiência me serviu de algo, além de amaldiçoar quilômetros de filmes assistidos ao longo dos anos e as ideias infelizes de meu camarada, notório em escolhas infelizes quando o assunto é mochilas, bebidas e lugares para se beber (eu deveria ter lembrado, antes de pedir o bloody mary, que um chopp de 300 ml já me custou 10 reais numa zona portenha na companhia das escolhas deste querido amigo). Mas dizia eu que a experiência do bloody mary serviu para outra definição que me acompanhará para o túmulo e que farei questão de repetir por todos os anos que me restam a todos que merecerem. Porque beber pomarola achando que dá barato é um castigo que delegarei com gosto aos meus inimigos, na possibilidade de os tiver.
A verdade é:
Nunca confie numa pessoa que bebe bloody mary. E gosta.
às 19:57 1 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
Tributo a Steve McQueen
Steve é muito mais legal que Marlon Brando, que em si já é um dos atores mais legais de todos os tempos. Estou frustrado por não poder embutir um vídeo do YouTube por conta dos head-hunters dos copyrights. Que parágrafo mais anglófono, man.
O vídeo está aqui, aproveitando uma música da Sheryl Crow, que se chama "Steve McQueen" e que a faz, de hoje em diante, a minha cantora preferida. Mais até do que a curvilinea Shakira.
às 19:11 0 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Dólar furado, velho, rasgado
Torn like an old dollar bill... Mark Lanegan - Dollar Bill from Bianca P on Vimeo.
às 18:52 0 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
Ção
Eu não sou problema.
Tampouco solução.
Eu sou um poema,
e nenhuma comoção.
às 15:03 0 comentários Marcadores: Poemas para combater a calvície
Uma noite pra não esquecer jamais
No mesmo palco onde BB. King já desfilou seu talento estava um dos meus herois. Mark Lanegan, o vocal soturno e grave, as músicas com letras e ritmos intensos, a sensação do ambiente vibrando em comunhão daqueles todos que sabem muito bem o que canções como "Sworn and Broken", "Dollar Bill", "If I Were Going", "Ressurection Song" têm a dizer. O show dessa quarta-feira do Gutter Twins, mas mais do que isso, de Lanegan e Dulli, foi uma catarse.
Todos os que viveram um pouco de cada uma dessas canções sabem da dimensão que um show dessa qualidade pode alcançar. O nome do espetáculo, "An Evening With Mark Lanegan and Greg Dulli" (Uma Noite com Mark Lanegan e Greg Dulli) dá uma ideia do que pode ac
ontecer. Mais do que o repertório do atual projeto dos dois, o The Gutter Twins, é uma apresentação calcada na trajetória de ambos, desde a exuberância do grunge do começo dos anos 1990, até seus mais recentes e sensacionais trabalhos. Foi, na melhor definição possível, um espetáculo sensacional. Valeu à pena todos os centavos investidos. Valeu mesmo à pena o bloody mary ingerido, que é uma merda, foi uma das maiores decepções da minha vida descobrir que a bebida tão famosa tem sabor de pomarola. Foi um pouco decepcionante ver Lanegan dividir o palco e o show, mas mesmo isso, depois de tudo, compensa. Era o Lanegan!
Eu nunca vou esquecer desse show - é difícil dizer tão cedo, mas hoje é uma das minhas maiores e melhores experiências com um bom som. De ver há uns 4 metros de mim um dos sujeitos mais importantes da minha noção do que é música, cultura e mesmo poesia. Tenho fotos, vídeos, neurônios que cheguem para lembrar dessa noite. Tenho o ingresso autografado por Mark Lanegan. Tenho, enfim, uma sensação no coração de que o grunge não morreu, que nem tudo foi em vão e que se for para ter uma vida blues, ora, bem vale à pena, porque se ela for assim, recheada de períodos tristonhos, ao menos serão embalados por gente como Mark.
E essa é uma vida que, sim, vale à pena ser vivida.
No vídeo, da esquerda para a direita: Greg Dulli, Mark Lanegan e o guitarrista desconhecido.
Momento Caras: estiveram no show, que eu vi, Nando Reis, Miranda (produtor musical e jurado do programa Ídolos. Falam também em um dos membros do CPM22 e mais algumas personalidades B)
Pronto, informei.
às 14:36 0 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Ídolos
Não neguem, vocês têm os seus. Não a coisa meio infantil, do fã inconsequente que torna-se xiita por conta de um objeto de admiração. Mas aquela empatia por pessoas que foram capazes de fazer coisas que você gostaria de fazer. Ou nem isso, fizeram muito bem feito coisas que julgamos importantes, e daí às admiramos.
E eu tenho uma muito extensa lista de figuras dessa categoria. Poderia classificá-las em ordem pelo ramo de atividade em que se destacaram, alfabéticamente a partir da primeira letra dos seus nomes. Ou sobrenomes, como fazem as boas livrarias em relação a autores. Poderia listá-los num rol que obedeça uma ordem cronológica. Ou ainda usar como critério o quanto minha admiração por essas figuras é grande, o que é abslutamente mensurável. Admiro, por exemplo, muito o Johnny Cash. E admiro também Ennio Morricone, mas é uma admiraçãozinha, assim, assim, meio arrependida.
Eu comecei cedo no ramo. A partir do momento em que me encantei pela TV, muito cedo, naquele tempo video-game era mais restrito que hoje, era o Batman. Passavam incansávelmente aquela série dos anos 60, o ator que fazia o papel do morcego era o Adam West, com aquela barriguinha e tudo mais. E tinha aquele Robin meio afeminado. Saibam, ó incautos, que a piadinha em relação às opções sexuais da dupla dinâmica, que vem a ser constituída de Batman e Robin, vieram de alguns episódios dessa série, mal e porcamente dublados no Brasil, o que abriu espaço para toda a sorte de maus (é assim?) entendidos vinculados com a reputação dos herois. Até onde se sabe, quadrinho nenhum deu margem às conotações infelizes que o espírito debochado do brasileiro inferiu. Lembro que ganhei um vinil - é, eu tive vinis! - com a trilha sonora do filme de 1989 (dirigido pelo Tim Burton e com o Michael Keaton - onde diabos eles estavam com a cabeça).
Mas todo esse digressivo parágrafo só para dizer que meu primeiro ídolo foi o Batman. Só que isso meio que se perdeu com o tempo, parei de achá-lo legal depois dos X-men - embora ainda admire o conflito interno da mente de um cara que, a rigor, não tem muito de diferente dos sociopatas que combate nanquins à fora.
Aí veio Ayrton Senna e Raí, na mesma época. Zetti. E depois, Elvis Presley, a quem ainda devoto um grande carinho. Comecei a ouvi-lo no período nerd-antisocial da minha adolescência, ele era meu único companheiro. Ouvia Elvis e tinha vergonha, porque odiava com todas as forças do meu ser Legião Urbana. Foram tempos difíceis. Meu time era uma piada, eu não ouvia o que as pessoas ouviam, ouvia um cara morto, identificado como coisa de velho, não suportava Malhação e não tinha assunto com as meninas. Não sei como sobrevivi. Aliás, até sei. Mas não quero falar sobre isso.
E depois a literatura me apresentou uma enorme quantidade de pessoas brilhantes. E não falo só de autores, falo também de personagens, como Athos, o Professor Anronax, Arne Sakknussen, Róbinson Crusoé, e tantos outros. Alguns serviram - serviram - de modelo nos complicados tempos de adolescência, onde você busca criar uma imagem de si que imagina que os demais ficarão encantados em conhecer e normalmente não ficam, acabam te enxergando como um babaca excentrico. Enfim.
Na Fórmula 1 adquiri também inúmeros ídolos. Fernando Alonso, Kimi Raikkonen (até trair o movimento, ir para a Ferrari e parar de encher a cara). E alguns que não vi correr, como Jack Brabham (campeão na década de 1960), Bruce McLaren, Jean-Pierre Beltoise e Nelson Piquet.
E é meio assustadora essa dependência em admirar pessoas. E olhando esse texto, nem citei um monte de gente. Dá uma sensação de nanismo enorme, como somos pequenos, precisamos projetar imagem de pessoas que jamais conheceremos, admirá-las, reconhecer seu talento em fazer coisas que achamos interessantes e não conseguimos. O homem é uma criatura eminentemente frágil.
E eu tinha uma ideia ótima sobre um texto sobre Steve Mcqueen, sobre o filme "As 24 Horas de Le Mans" que pude assistir dia desses e foi tudo em vão, porque não sou capaz de lembrar qual era a ideia, o tema e o assunto. Amanhã escrevo sobre Mcqueen, porque ele vale à pena umas boas penadas.
às 02:07 0 comentários Marcadores: Cultura, Memórias
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Se
Se poemas são escritos,
como podem os versos,
que nunca são ditos,
impressionarem tanto como gritos?
Se poemas não existem
e apenas são,
que dizer daqueles que vão,
nas rimas em que nossos corações insistem?
Se poemas são vidas,
daquelas que se vive e que não se sabe,
então que tudo mais sejam poesias,
vida, amor e alegria que nunca mais acabe.
às 17:32 0 comentários Marcadores: Poemas para combater a calvície



